terça-feira, 28 de setembro de 2010

Clamor aos céus

Eu não sei precisar, mas alguém deve ter registrado, há muito muito tempo atrás, a data da última chuva que caiu em Cuiabá. E à época, nem poderia prever a falta d'água que faria, a não ser pelo costume da espera pela chuva do caju, que neste ano se atrasa cada vez mais.

Hoje, o dia em que faltam apenas dois para outubro, os pingos passaram de ameaças, apesar de não constituírem chuva.

Dizem ser perigosa e ácida essa primeira pancada que demora tanto a chegar ao chão. Mas, mesmo nos anos 2000, os cuiabanos perderiam os dedos para sentir o líquido celestial nas mãos. Os poucos segundos de duração - ou será que chegaram a fazer minuto? - foram suficientes como esperança e potencial instaurador de caos no trânsito.

Minha irmã falou que os motoristas chegaram a desacelerar os automóveis como se para ver melhor os pingos no para-brisa. Ela abaixou o vidro e pos a mão para fora. A constatação necessária é o refúgio de nossos corpos quentes e secos, que ainda clamam por frescor e umidade.

E não há nada como poder se lembrar do cheiro de chuva - a terra molhada.

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